Pesquisadora do Instituto Pelé Pequeno Príncipe é selecionada em edital nacional para estudo sobre câncer de mama
A pesquisadora Luciane Cavalli, do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, foi contemplada pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), agência do governo brasileiro que financia pesquisas científicas, na chamada que envolve pesquisas inovadoras para a saúde das mulheres.
O projeto aprovado se insere na linha de soluções digitais e modelos preditivos para aprimorar o diagnóstico e o acompanhamento do câncer de mama na rede pública. A iniciativa reforça o compromisso do IPP com o avanço científico e a inovação em prol da saúde feminina no Brasil.
Tecnologia e inteligência artificial no combate à recorrência tumoral
Com duração prevista de 36 meses, o projeto tem como foco o câncer de mama receptor de estrogênio positivo (RE+), um dos subtipos mais frequentes de câncer de mama, e visa a criar uma ferramenta de apoio à decisão clínica acessível para o SUS. Ao permitir a identificação precoce de pacientes com maior risco de recorrência da doença, a solução possibilita personalizar abordagens terapêuticas, evitar tratamentos desnecessários de alto custo e reduzir desigualdades no acesso ao diagnóstico oncologicamente especializado.
Intitulado “Desenvolvimento de um modelo preditivo de microRNAs para o diagnóstico precoce de recorrência do câncer de mama ER+ em biópsias líquidas de mulheres atendidas pelo SUS”, o estudo busca prever o risco de retorno do tumor e de resistência ao tratamento.
A metodologia utiliza a biópsia líquida (um procedimento minimamente invasivo) para a análise de biomarcadores moleculares (microRNAs) presentes no sangue das pacientes, que são combinados a algoritmos de aprendizado de máquina, dados clínicos, sociodemográficos e de acompanhamento das pacientes.
Pesquisas e resultados na área
As pesquisas de Luciane Cavalli no IPP têm como foco o estudo da instabilidade genômica em tumores humanos, com atenção especial ao câncer de mama. A pesquisadora busca identificar e caracterizar alterações moleculares associadas aos diferentes subtipos da doença, relacionadas à origem e à progressão dos tumores.
Entre as alterações estudadas estão as epigenéticas, incluindo as do perfil de expressão de microRNAs (miRNAs), pequenas moléculas capazes de regular a atividade dos genes que podem estar alteradas no câncer. Esses estudos buscam compreender o papel dos miRNAs na biologia dos tumores e avaliar seu potencial como biomarcadores para auxiliar na caracterização da doença, no acompanhamento das pacientes e na avaliação da resposta aos tratamentos.
As pesquisas também consideram as diferenças genéticas entre populações, buscando compreender como a ancestralidade e outros fatores podem estar relacionados às características moleculares dos tumores e às diferenças observadas na evolução do câncer de mama. Esses estudos podem contribuir para ampliar o conhecimento sobre a doença e, no futuro, para o desenvolvimento de estratégias mais personalizadas de diagnóstico, acompanhamento e tratamento.
As pesquisas avançam no desenvolvimento de modelos pré-clínicos que permitam reproduzir características dos tumores e investigar sua resposta às terapias. Por meio de estratégias como a reprogramação celular e o uso de células pluripotentes tumorais, a equipe busca compreender melhor os mecanismos relacionados ao câncer e à resistência terapêutica. Esses modelos podem contribuir para a triagem de novos agentes terapêuticos e, no futuro, para o desenvolvimento de abordagens cada vez mais direcionadas às características individuais de cada paciente.
Conheça pesquisas do IPP nessa área:
DOI: 10.3390/ijms27041882
DOI: 10.3390/molecules29194781