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    Pesquisa em parceria entre Hospital Pequeno Príncipe e IPP conquista primeiro lugar em congresso internacional de micologia

    29 de julho de 2026

    Uma pesquisa desenvolvida em parceria entre o Hospital Pequeno Príncipe (HPP) e o Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe (IPP) recebeu reconhecimento internacional durante os congressos 23.º INFOCUS e 2.º ISHAM LATAM, realizados entre os dias 22 e 25 de julho, em Curitiba (PR).

    O trabalho, apresentado pela farmacêutica clínica Lívia Santiago, que trabalha no Serviço de Transplante de Medula Óssea (TMO) do HPP, conquistou o primeiro lugar na categoria Apresentação Oral, destacando a relevância da pesquisa aplicada ao cuidado de crianças submetidas ao transplante.

    Os eventos reuniram especialistas nacionais e internacionais para discutir os principais avanços e desafios relacionados à micologia médica e veterinária. Organizado em conjunto com a Sociedade Internacional de Micologia Humana e Animal (ISHAM), o congresso promoveu debates sobre diagnóstico, tratamento e manejo clínico das infecções fúngicas, que representam um dos maiores desafios para pacientes imunossuprimidos.

    Ciência aplicada ao cuidado de pacientes pediátricos

    Farmacêutica clínica do Serviço de TMO do Hospital Pequeno Príncipe, Lívia Santiago apresentou resultados obtidos a partir de uma pesquisa desenvolvida em parceria com o grupo de pesquisa em cromatografia clínica e ciências ômicas do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, coordenada pelo pesquisador Dr. Lauro Mera de Souza.

    O estudo investiga o monitoramento terapêutico do voriconazol, antifúngico amplamente utilizado no tratamento e na prevenção de infecções fúngicas invasivas em pacientes pediátricos submetidos ao transplante de medula óssea. Como esses pacientes passam por regimes intensivos de quimioterapia e utilizam medicamentos imunossupressores, apresentam maior vulnerabilidade a infecções oportunistas, tornando essencial o acompanhamento preciso da terapia antifúngica.

    O trabalho premiado demonstrou uma importante interação entre o voriconazol e a ciclosporina, um dos principais imunossupressores utilizados por esses pacientes. A identificação dessa relação permite que a equipe multiprofissional ajuste o tratamento de forma segura, reduzindo o risco de eventos adversos e contribuindo para melhores desfechos clínicos.

    Pesquisa fortalece a medicina translacional

    A pesquisa se encontra atualmente em sua segunda fase. Após o desenvolvimento e validação dos protocolos laboratoriais para monitoramento dos níveis séricos de voriconazol, o estudo passou a acompanhar os pacientes durante o tratamento, permitindo estratificar as concentrações do medicamento em níveis subterapêuticos, terapêuticos e supraterapêuticos.

    O monitoramento é especialmente importante na população pediátrica, que apresenta grande variação no caminho que um medicamento faz no corpo. Como o voriconazol possui uma janela terapêutica estreita, pequenas alterações em sua concentração sanguínea podem comprometer a eficácia do tratamento ou aumentar o risco de toxicidade.

    Além de orientar o ajuste individualizado das doses, o acompanhamento possibilita compreender fatores que influenciam o comportamento do medicamento no organismo, incluindo interações com outros fármacos frequentemente utilizados durante o transplante de medula óssea, reforçando o conceito de medicina translacional, que acelera a aplicação de descobertas científicas básicas em tratamentos práticos para os pacientes.


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