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    Pesquisa do IPP investiga resistência antimicrobiana e pode mudar a forma como os efluentes hospitalares são tratados

    22 de março de 2026

    No Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, uma discussão ganha cada vez mais relevância: a qualidade da água e os riscos invisíveis que ela pode carregar. Entre eles, a presença de bactérias resistentes a antibióticos, um dos maiores desafios atuais da saúde pública global.

    É nesse contexto que se insere o estudo liderado pela professora pesquisadora Líbera Maria Dalla Costa, do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, e desenvolvido em parceria com a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). A pesquisa investiga como microrganismos resistentes, genes de resistência e resíduos de medicamentos circulam em ambientes impactados por efluentes hospitalares, como o Hospital Pequeno Príncipe.

    Efluentes são resíduos líquidos que contêm micropoluentes (fármacos e microrganismos resistentes) que exigem tratamento antes do descarte, para evitar impactos ambientais e na saúde. No caso dos efluentes hospitalares, a concentração de microrganismos é maior do que dos resíduos residenciais, por exemplo, e isso cria a necessidade de um pré-tratamento anterior à liberação nas estações de tratamento.

    Resistência antimicrobiana

    A chamada resistência antimicrobiana ocorre quando bactérias deixam de responder aos antibióticos, tornando infecções mais difíceis de tratar. Embora frequentemente associada ao uso excessivo de medicamentos, essa resistência também se espalha pelo ambiente, especialmente por meio da água.

    A pesquisa do IPP propõe mapear a presença desses microrganismos em diferentes pontos, desde o hospital até estações de tratamento e rios. Para isso, utiliza uma abordagem avançada de análise genética, capaz de identificar não apenas as bactérias presentes, mas também os genes responsáveis pela resistência, além de detectar micropoluentes, como resíduos de antibióticos.

    Mais que entender o problema, o estudo conduzido pela equipe de Líbera Maria Dalla Costa avança na busca por soluções para conter essa disseminação, com o desenvolvimento de um sistema de tratamento baseado em uma barreira multiestágios, que combina diferentes tecnologias de filtração e desinfecção. O objetivo é remover, de forma integrada, microrganismos, compostos químicos e material genético associado à resistência.

    Ao integrar ciência e saneamento, a pesquisa aponta para a importância da vigilância ambiental e do tratamento da água, que deixam de ser somente uma questão ecológica e passam a ocupar papel estratégico na proteção da saúde coletiva. A iniciativa abre caminho para a identificação precoce de ameaças e a prevenção de surtos, reforçando a relevância de investimentos em pesquisa e infraestrutura no setor.

    Leia mais: DOI https://doi.org/10.1016/j.scitotenv.2025.179124


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