Outubro Rosa: pesquisa científica busca novas respostas para o câncer de mama
O Outubro Rosa é um período de conscientização sobre o câncer de mama e sobre o cuidado com a saúde da mulher. No Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe (IPP), a pesquisadora Luciane Cavalli estuda, entre outros temas, o câncer de mama, com atenção especial às características dos tumores, genéticas e epigenéticas (alterações na atividade dos genes que ocorrem sem mudar a sequência original do DNA).
Seu trabalho busca compreender por que diferentes tumores podem apresentar comportamentos distintos e quais características podem ajudar a explicar sua evolução e resposta às terapias.
Em setembro de 2026, essa trajetória ganhou um novo capítulo. Luciane foi selecionada pelo CNPq em um edital voltado a pesquisas inovadoras para a saúde das mulheres. O projeto aprovado investigará o risco de recorrência do câncer de mama receptor de estrogênio positivo (RE+), com o objetivo de desenvolver uma ferramenta de apoio à decisão clínica acessível ao SUS. (Saiba mais: Pele Pequeno Príncipe)
Do laboratório à busca por respostas mais precisas
Embora seja chamado pelo mesmo nome, o câncer de mama apresenta diferentes características biológicas. Os tumores podem ser classificados em subtipos, entre eles os luminais, os HER2-positivos e os basais, grupo que inclui os denominados tumores triplo-negativos. Essas diferenças ajudam a explicar por que a doença pode se comportar de maneiras distintas entre as pacientes.
É justamente essa diversidade que torna a pesquisa tão importante. No IPP, os estudos coordenados por Luciane investigam alterações presentes nos tumores, buscando compreender mecanismos relacionados à origem e à progressão da doença. Entre os elementos estudados estão alterações no número de cópias de regiões do genoma e os microRNAs, pequenas moléculas que participam da regulação da atividade dos genes.
Uma das frentes estudadas pela equipe da pesquisadora é o câncer de mama triplo-negativo, subtipo caracterizado pela ausência de receptores hormonais e da proteína HER2, e que apresenta desafios importantes para o tratamento. Luciane se dedica a esse tipo de tumor há mais de três décadas, buscando identificar alterações que ajudem a compreender sua agressividade e suas respostas terapêuticas.
Os estudos desenvolvidos pela equipe utilizam tanto amostras de tecido tumoral quanto amostras obtidas por meio de biópsias líquidas. A partir desses materiais, os pesquisadores investigam características moleculares que podem estar relacionadas ao comportamento dos tumores e que, futuramente, possam contribuir para o desenvolvimento de biomarcadores.
Ciência também é uma forma de cuidado
Neste Outubro Rosa, o Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe reforça que cuidar da saúde da mulher também significa investir em conhecimento. Pesquisas como as coordenadas por Luciane Cavalli ajudam a ampliar a compreensão sobre o câncer de mama e a investigar novas possibilidades para um cuidado cada vez mais preciso.
Conheça mais:
- DOI: 10.3390/ijms27041882
- DOI: 10.3390/cells14161235
- DOI: 10.1016/j.lfs.2023.122332