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    Estudo aponta formas de evitar recaídas no tratamento de leucemia em crianças submetidas ao transplante de medula óssea

    26 de fevereiro de 2026

    Fevereiro é o mês de conscientização sobre a leucemia, um tipo de câncer que, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), é o mais comum entre crianças e adolescentes. Entre os tratamentos possíveis está o transplante de medula óssea (TMO), e o Hospital Pequeno Príncipe é uma das instituições que mais realizam transplantes de alta complexidade no país, reconhecido como referência em TMO pediátrico no Brasil.

    Muitos pacientes, porém, passam pelos tratamentos, recuperam-se e, tempos depois, voltam a apresentar a doença. Identificar os fatores de risco para as recidivas em crianças submetidas ao transplante de medula óssea foi o objetivo de um estudo do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, conduzido pela médica pediatra Polliany Pelegrina, com coordenação da professora pesquisadora Carmem Bonfim.

    A pesquisa buscou rastrear fatores de risco e de proteção — como tipo de doador, fonte de células, quimerismo misto (quando, após o transplante, o indivíduo passa a ter duas linhagens celulares distintas — do doador e do receptor), entre outros — para identificar os fatores que podem ser modificados durante ou depois do transplante, diminuindo a incidência de recaídas.

    Resultados e dados reais

    A incidência de recidiva pode variar conforme o perfil de cada paciente e o tipo de transplante realizado. O levantando coletou dados de crianças e adolescentes de 0 a 17 anos que passaram por TMO para tratar leucemias agudas em alguns dos principais centros de tratamento do Brasil, como o Hospital Pequeno Príncipe, o Inca, o Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e o Hospital Nossa Senhora das Graças, de Curitiba.

    Foram apontados fatores em comum entre esses pacientes. “Nós levantamos dados de mais de 300 pacientes para tirar conclusões. Entre os fatores de risco, identificamos a presença da doença positiva antes do transplante, pacientes em fase mais avançada da doença e que tiveram recaídas antes de transplantar, e que tem quimerismo misto”, informou Polliany.

    “Já o fator protetor é quando o paciente chega em uma fase mais precoce, com a doença controlada, sem nenhuma doença na medula antes do TMO.” A pediatra completou: “A partir desses dados, a gente tem otimizado as decisões do dia a dia no Hospital: de quando começar a retirar a imunossupressão, de quando indicar o momento certo do TMO ou indicar um pouco mais de quimioterapia antes, para que a criança venha em uma condição melhor de controle da doença antes do transplante.”

    Polliany Pelegrina

    Por que prevenir a reincidência

    Uma das principais preocupações depois do transplante é quando a leucemia volta, principalmente depois de cem dias do TMO. “A ideia era estudar dados brasileiros, da nossa população, para entender na nossa realidade o que poderia ser fator de risco ou fator protetor, e tentar manejar isso durante o pós-transplante”, revelou Polliany.

    O estudo, publicado depois da conclusão do Mestrado em Biotecnologia da Faculdades Pequeno Príncipe, acabou servindo de fonte para um consenso publicado em 2025 pela Sociedade Brasileira de Transplante, intitulado Manejo da recidiva de leucemias agudas pediátricas após transplante de células hematopoiéticasFoi demonstrado que a prevenção é a melhor forma de evitar recidivas após o transplante e a necessidade de novas estratégias terapêuticas para evitar recidivas, direcionando de forma mais precisa os cuidados com os pacientes.

    No IPP, muitas pesquisas são translacionais, ou seja, buscam transformar descobertas científicas feitas em laboratório em novas intervenções, medicamentos, diagnósticos e tratamentos que beneficiam pacientes na prática clínica. Com a combinação de pesquisa científica, tecnologia e atendimento clínico especializado contra a leucemia infantil, é possível oferecer esperança e novas possibilidades de cura para muitas famílias atendidas no setor de transplante de medula óssea do Hospital. Saiba mais sobre o transplante de medula óssea no Hospital Pequeno Príncipe.

    Quer se aprofundar? Acesse o artigo científico publicado e conheça o consenso da SBTMO, que contou com contribuições dessa pesquisa.

    Artigo – https://doi.org/10.3389/fped.2025.1573334
    Consenso – https://doi.org/10.46765/2675-374X.2025v6n1e285


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