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    Dona Ety: 60 anos de dedicação, coragem e amor às crianças

    28 de agosto de 2026

    Há histórias que se contam em anos. Outras, em impacto. A de Dona Ety reúne os dois. Neste 28 de agosto, o Pequeno Príncipe celebra os 60 anos de Ety da Conceição Gonçalves Forte à frente da Associação Hospitalar de Proteção à Infância Dr. Raul Carneiro, mantenedora do Hospital Pequeno Príncipe.

    São seis décadas de dedicação voluntária a uma causa que se tornou seu propósito: garantir a crianças e adolescentes um cuidado de excelência, digno, equânime e profundamente humano.

    Artista plástica formada pela Escola Paulista de Belas Artes, Dona Ety chegou a Curitiba na década de 1960. Pouco tempo depois, aproximou-se do trabalho voluntário com crianças e, em 1966, assumiu a presidência da associação. A partir daquele momento, sua história e a da instituição passaram a caminhar juntas.

    Ao seu lado estava seu companheiro de vida, o arquiteto Luiz Forte Netto. Parceiros nos sonhos e na construção de um projeto dedicado à infância, eles ajudaram a transformar uma realidade marcada por dificuldades em uma instituição que se tornaria referência no cuidado infantojuvenil.

    Coragem para transformar

    Desde o início, Dona Ety acreditou que toda criança deveria receber o que há de melhor, independentemente de sua condição social. Essa convicção ajudou a construir um novo olhar para a assistência pediátrica, unindo ciência, tecnologia, acolhimento, arte, educação e respeito aos direitos de crianças e adolescentes.

    Ao longo das décadas, esse olhar impulsionou conquistas que marcaram a história do Pequeno Príncipe e contribuíram para avanços na pediatria brasileira. Em 1968, a instituição iniciou o atendimento em oncologia pediátrica. Três anos depois, foi inaugurado o prédio do Hospital Pequeno Príncipe, projetado por Luiz Forte Netto especialmente para as necessidades das crianças — uma proposta arquitetônica pioneira no país.

    Vieram ainda a primeira UTI pediátrica do Paraná, em 1976; a incorporação do Hospital de Crianças César Pernetta, em 1979; o fortalecimento da permanência da família ao lado da criança hospitalizada, que daria origem ao Programa Família Participante; e a implantação pioneira da psicologia hospitalar.

    A instituição avançou também em áreas de alta complexidade, com transplantes de órgãos, eletrofisiologia e transplante de medula óssea, entre muitas outras conquistas.

    Mas o sonho não se limitava à assistência. Com a criação da Faculdades Pequeno Príncipe e do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, o projeto cresceu e passou a integrar assistência, ensino e pesquisa. Um Complexo que conecta saberes, forma profissionais, produz conhecimento e amplia seu impacto na vida de crianças, adolescentes e suas famílias.

    Um legado que passa de geração em geração

    Para Ety Cristina Forte Carneiro, filha, diretora-executiva do Hospital Pequeno Príncipe e diretora-geral do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, dar continuidade ao legado da mãe é também assumir a responsabilidade de manter os princípios que orientaram sua trajetória.

    “Dar continuidade ao legado da minha mãe é uma honra e uma enorme responsabilidade. É seguir buscando excelência e equidade e continuar perguntando o que ainda podemos fazer melhor pelas crianças. Nenhum de nós é capaz de substituí-la, mas honramos tudo que ela faz e seguimos buscando o melhor, como ela sempre nos ensina.”

    Para quem cresceu ao lado de Dona Ety, as lembranças do Pequeno Príncipe se confundem com as da própria família. Tatiana Forte, filha e diretora de Extensão da Faculdades Pequeno Príncipe, recorda a infância pelos corredores do antigo Hospital de Crianças César Pernetta. Enquanto a mãe trabalhava, ela brincava no pátio e visitava as enfermarias, convivendo com as crianças.

    Com o passar dos anos, aquelas experiências ganharam um significado ainda maior. “O que mais eu tenho de orgulho nessa época é, em primeiro lugar, orgulho da dedicação da minha mãe e do meu pai, Luiz, em prol das crianças de todo o estado do Paraná e de outros estados do Brasil”, conta. E resume seis décadas em uma frase carregada de afeto: “Dona Ety só existe uma.”

    Para Patricia Forte Rauli, filha e diretora-geral da Faculdades Pequeno Príncipe, um dos principais ensinamentos recebidos dos pais é a defesa da dignidade para todas as pessoas. “Todas as crianças deveriam ser tratadas como pequenos príncipes e princesas”, reforça.

    Dos pais, Patricia leva também a certeza de que realizar aquilo que parece impossível exige trabalho e dedicação — e de que quem recebe muito da vida tem também a responsabilidade de compartilhar e contribuir para que outras pessoas tenham segurança, oportunidades e dignidade.

    Uma história construída por muitas mãos

    O cirurgião pediátrico Sylvio Ávilla, que integra a equipe do Pequeno Príncipe há mais de 50 anos, reconhece nessa capacidade de realização uma das características mais marcantes de Dona Ety. “Quando coloca uma coisa na cabeça, corre atrás e faz.”

    Para ele, essa determinação também explica a capacidade de Dona Ety de reunir pessoas em torno de uma causa. “As pessoas acreditam nela. No que ela representa, no que ela constrói.”

    A coragem e a determinação também são destacadas pelo diretor-científico do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, Bonald Cavalcante de Figueiredo. Para ele, essas duas palavras sintetizam a trajetória de Dona Ety e a disposição de começar, avançar e não recuar diante dos desafios.

    O legado de Dona Ety também está presente em quem construiu sua trajetória profissional no Pequeno Príncipe. A oncologista pediátrica Flora Mitie Watanabe, uma das primeiras pediatras especializadas em câncer infantil no Brasil, acompanhou de perto essa determinação.

    “Ela nunca desistia. Mesmo diante das dificuldades, e olha que naquela época era muito mais difícil, não tinha acesso, não tinha estrutura, não tinha tanto como se tem hoje. E ela batalhava mesmo”, recorda. Para a médica, foi justamente essa disposição de não se acomodar que ajudou o Hospital a crescer. “Ela fez escola aqui dentro. […] É uma lição que ficou gravada: a gente não desiste.”

    Uma semente que, seis décadas depois, continua dando frutos. A consultora jurídica Náira Vieira Neto Regi, que soma mais de quatro décadas de trajetória no Pequeno Príncipe, guarda a imagem de uma mulher “ousada e corajosa”, além das histórias de quando Dona Ety saía em busca de recursos para ajudar as crianças atendidas pela instituição.

    Já o ortopedista pediátrico Luiz Antonio Munhoz da Cunha, cuja relação com o Pequeno Príncipe começou ainda como acadêmico, em 1974, traduz o legado em valores. “Eu sempre digo: ela é o Pequeno Príncipe.” Para ele, colocar o paciente acima de tudo é uma filosofia que atravessou décadas e permanece na essência da instituição.

    Um jeito único de cuidar

    Mais do que obras, serviços e avanços científicos, Dona Ety ajudou a construir uma cultura. Para ela, crianças e adolescentes são verdadeiros “príncipes e princesas” e devem ser cuidados dessa forma.

    Esse princípio atravessou gerações e permanece presente no Pequeno Príncipe: no acolhimento às famílias, na valorização dos profissionais, na presença da arte e da cultura e na busca permanente por fazer mais e melhor.

    Eu considero Dona Ety a pessoa mais importante da história do Pequeno Príncipe”, exalta o diretor-corporativo do Complexo Pequeno Príncipe, José Álvaro da Silva Carneiro.

    Neste 28 de agosto, o Pequeno Príncipe celebra e agradece a ela as seis décadas de dedicação voluntária, propósito e amor à infância. Um legado que multiplica sonhos, inspira gerações e continua transformando milhares de vidas. Parabéns, Dona Ety!


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