Pesquisa do IPP reúne evidências sobre estratégia promissora para o tratamento de doenças neurodegenerativas
As doenças neurodegenerativas estão entre os maiores desafios da medicina moderna. Caracterizadas pela perda progressiva de neurônios, elas comprometem funções como memória, movimento, linguagem e cognição, impactando a vida de milhões de pessoas em todo o mundo. Diante desse cenário, pesquisadores buscam alternativas capazes de proteger o cérebro e retardar a progressão dessas enfermidades.
Doenças como Alzheimer, Parkinson, esclerose lateral amiotrófica (ELA), Huntington e outras condições neurodegenerativas ainda possuem opções terapêuticas limitadas. Um dos principais desafios é que muitos medicamentos não conseguem ultrapassar a barreira hematoencefálica, estrutura responsável por proteger o cérebro, mas que também dificulta a chegada de tratamentos ao sistema nervoso central.
No Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe (IPP), a busca por soluções faz parte da rotina científica da médica e pesquisadora Katherine Athayde Teixeira de Carvalho. Seu mais recente trabalho reúne as evidências científicas sobre uma estratégia inovadora baseada em vesículas extracelulares (VEs), particularmente os exossomos derivados de células-tronco mesenquimais, e seu potencial para o tratamento de doenças neurodegenerativas.
Uma nova possibilidade nas terapias para o cérebro
Essas pequenas vesículas, produzidas naturalmente pelas células, conseguem atravessar a barreira hematoencefálica, levando moléculas bioativas para o tecido cerebral. Entre essas moléculas estão os microRNAs (miRNAs), pequenas sequências de RNA capazes de regular a expressão de genes envolvidos em processos como inflamação, estresse oxidativo, morte celular e agregação de proteínas, mecanismos diretamente relacionados ao desenvolvimento das doenças neurodegenerativas.
Os exossomos derivados de células-tronco mesenquimais reproduzem muitos dos efeitos terapêuticos das próprias células, mas sem a necessidade de um transplante celular. Essa característica torna a estratégia uma das mais promissoras dentro da medicina regenerativa e da chamada terapia celular livre de células.
Embora a aplicação clínica ainda dependa de novos estudos e da padronização de protocolos, as evidências consolidadas pelo estudo do IPP contribuem para orientar futuras pesquisas e fortalecer o desenvolvimento de terapias avançadas, abrindo caminhos para tratamentos cada vez mais precisos e eficazes.
Saiba mais em:
DOI: https://doi.org/10.3390/biomedicines11041113
DOI: https://doi.org/10.2147/IJN.S502031
DOI: https://doi.org/10.1007/s43152-026-00070-7