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    Estudo aponta que treinamento cognitivo pode complementar o tratamento e favorecer o desempenho escolar de crianças e adolescentes com TDAH

    13 de julho de 2026

    Você conhece uma criança que parece estar sempre distraída, tem dificuldade para terminar tarefas, esquece compromissos com frequência, age por impulso ou não consegue ficar parada por muito tempo? Embora esses comportamentos possam fazer parte do desenvolvimento infantil, quando são persistentes e interferem na aprendizagem, nas relações sociais e na rotina familiar podem ser sinais do transtorno do déficit de atenção/hiperatividade (TDAH).

    Lembrado no dia 13 de julho, o Dia Mundial de Conscientização do TDAH tem justamente o objetivo de ampliar a divulgação sobre essa condição neurobiológica, combatendo o preconceito e reforçando a importância do diagnóstico precoce e tratamento adequado.

    Caracterizado por sintomas como desatenção, impulsividade e hiperatividade, o transtorno costuma manifestar-se na infância e pode impactar o desenvolvimento escolar, as relações sociais e a qualidade de vida quando não é identificado e tratado adequadamente. Por isso, pesquisas científicas têm buscado estratégias que possam complementar o tratamento convencional e favorecer o desenvolvimento dessas crianças.

    Estudos sobre TDAH no IPP

    No Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, o TDAH já foi tema de várias pesquisas, com diferentes abordagens. Uma delas, conduzida pela equipe da neurocientista e diretora de Relações Institucionais do IPP, Mara Lúcia Cordeiro, em parceria com a Universidade da Califórnia (UCLA), demonstrou que um programa de treinamento cognitivo computadorizado pode promover melhorias na atenção, na memória, no comportamento e no desempenho escolar de crianças com TDAH associado a transtornos de aprendizagem.

    Além do diagnóstico precoce e do acompanhamento multiprofissional, pesquisas procuram estratégias capazes de potencializar o desenvolvimento cognitivo dessas crianças.

    A pesquisa acompanhou 27 crianças entre 8 e 12 anos, com diagnóstico de TDAH e transtornos de aprendizagem, que participaram de um programa de treinamento cognitivo composto por 24 sessões realizadas ao longo de três meses. As atividades utilizavam jogos estruturados para estimular atenção sustentada, memória, raciocínio lógico, velocidade de processamento, controle inibitório e outras funções executivas, fundamentais para o desenvolvimento infantil.

    Treinamento fortaleceu atenção, memória e funções executivas

    Ao final do treinamento, os pesquisadores observaram melhora significativa em diferentes habilidades cognitivas. Além do avanço nas capacidades diretamente treinadas, testes neuropsicológicos mostraram ganhos na atenção sustentada, na memória visual e em funções executivas relacionadas ao planejamento, organização, flexibilidade cognitiva e controle da impulsividade. Os benefícios foram constatados tanto em crianças que utilizavam medicação quanto naquelas que não faziam uso de medicamentos.

    Outro resultado importante foi a redução de dificuldades comportamentais relatadas pelos responsáveis. As crianças apresentaram menos problemas de atenção e, especialmente entre as que faziam uso de medicação, também houve redução de dificuldades emocionais e comportamentais, indicando que o treinamento pode contribuir para um funcionamento mais adaptativo no dia a dia.

    Os impactos do treinamento também ultrapassaram os testes cognitivos. A avaliação do desempenho escolar mostrou melhora global no rendimento acadêmico, incluindo avanços em leitura e escrita entre as crianças medicadas. Nas notas escolares, o destaque foi para a Matemática, disciplina que apresentou os ganhos mais expressivos após o período de intervenção.

     Pesquisadores reforçam que abordagem é complementar

    Segundo os autores, os resultados sugerem que fortalecer habilidades como atenção, memória e funções executivas pode favorecer diretamente o processo de aprendizagem. Essas competências permitem que a criança acompanhe melhor as explicações em sala de aula, mantenha o foco nas atividades, organize tarefas e retenha informações com maior eficiência, refletindo positivamente no desempenho escolar.

    Embora promissor, os pesquisadores ressaltam que o treinamento cognitivo não substitui o tratamento convencional do TDAH. O estudo reforça seu potencial como uma estratégia complementar ao acompanhamento médico, psicológico e educacional, contribuindo para uma abordagem mais abrangente da condição.

    “Compreender o transtorno é o primeiro passo para oferecer o suporte adequado às crianças e suas famílias”, destaca a pesquisadora neurocientista Mara Lúcia Cordeiro.

    Saiba mais: DOI 10.2147/ndt.s136663


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